Unidades de Habitação Social em Sobradinho

CODA + ARQBR

Memória do projeto

Habitação social

Tendo em vista o caráter social da habitação, o projeto buscou tirar o máximo proveito da legislação vigente, particularmente da lei 755 de 2008, regulamentada pelo decreto 29.590 do mesmo ano. O texto prevê a ocupação do espaço aéreo em área pública em uma faixa de até 1 metro ao longo do perímetro da projeção como forma de compensação de vazios internos, halls de elevadores, escadas, shafts e prismas de iluminação e ventilação. Esse recurso foi empregado na criação de um generoso vazio central na edificação, com o propósito de permitir a ventilação cruzada em todos os apartamentos. Ali foram colocadas as caixas de escadas, elevadores e as passarelas de acesso às unidades, dispostas de tal forma a se criar pequenas praças, estimulando o convívio entre os vizinhos. Assim, a faixa central do edifício torna-se uma rua local, efetuando uma sutil transição entre o espaço público – praças, pilotis – e o espaço privado das habitações.

A norma também permite a expansão dos cômodos de permanência prolongada em mais 1 metro. O recurso foi utilizado para a ampliação das salas e quartos das unidades, reservando uma faixa de 50cm para a construção de marquises de proteção solar que operam como bandejas de luz natural.

Foi proposta garagem subterrânea, aproveitando-se, mais uma vez, da lei 755 de 2008 - que estabelece a expansão de até 155% da área da projeção em subsolo - tirando partido da topografia para implantar a rampa de acesso na porção mais baixa do lote.

O vazio longitudinal do edifício faz com que seu pavimento tipo seja dividido em duas naves de apartamentos: uma voltada para a rua de acesso, outra para a praça. Em cada nave foram dispostos 5 apartamentos de dois quartos e 2 apartamentos de três quartos, contabilizando 14 apartamentos por andar e um total de 84 por edifício. As plantas foram desenvolvidas em acordo com as regras do programa Minha Casa Minha Vida, da Norma de Desempenho (NBR 15.575) e da Norma de Acessibilidade atualizada (NBR 9050/2015) valendo-se de áreas e dimensões superiores aos mínimos estabelecidos de modo a gerar espaços mais confortáveis, tomando o cuidado de não extrapolar o limite de 68m² para apartamentos econômicos. Isso foi possível graças à otimização da circulação interna das unidades e à integração dos ambientes sociais e de serviço (sala e cozinha conjugadas). Outro ponto positivo do projeto reside no fato das áreas molhadas dos apartamentos estarem concentradas em uma faixa paralela ao vazio central, racionalizando assim as instalações hidrossanitárias.

O partido adotado para o edifício priorizou o conforto térmico-luminoso de tal forma que as decisões técnicas de projeto refletem-se claramente em sua arquitetura.

As fachadas principais foram tratadas com pares de brises horizontais formando bandejas de luz junto ao teto das unidades. Esse recurso aumenta a proteção contra os ventos chuvosos e permite o emprego de esquadrias de vidro temperado, mais econômicas. Essa proteção se dá nas janelas das salas e quartos e se comporta de maneira distinta quando voltada para Noroeste ou quando voltada para Sudeste, como é o caso dos lotes das quadras B7 e C6.

 

Nos ambientes voltados para Noroeste (fachada que recebe maior parte da radiação solar), a proteção horizontal garante sombreamento até as 4 da tarde, em média, nos meses de verão (carta solar NW). Já naqueles ambientes voltados para a fachada Sudeste, a radiação solar vem bloqueada a partir das 9 da manhã no verão (carta solar SE).

  • Local Quadra B7 blocos A e C
    Quadra C6 blocos A e C
    Quadra B4 bloco B
  • Área área do terreno = 900m²
    área do edifício = 8.999,09m²
    área do conjunto = 44.995,45m²
  • Autores André Velloso Ramos
    Eder Alencar
    Pedro Grilo
    Tiago Lara

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